couve-flor tronco e membros


O corpo utópico
julho 28, 2006, 11:42 pm
Filed under: GERAL, REFERÊNCIAS

Elisabete Finger

Gente,

aí vai uma traduçao-resumo tabajara do texto do Foucault. Nao é o texto que vc tem por escrito Mi, é um pedaço dele, que o Gus e o Ri devem ter no CD historico que eu deixei com a minha mae. O texto escrito é mais completo, mas eu deixei em Angers, e só vou pegar em setembro…

 

Bom, acho que isso que eu to mandando já dá pra dar uma idéia do que ele chama de heterotopia. é importante ler tudo, pq mesmo quando parece que nao tem mais nada a ver com o nosso assunto ele continua enunciando princípios que esclarecem seus conceitos.

 

Logo de inicio vcs vao ver que o que nós (por minha culpa, eu confesso) estávamos chamando de “nao lugares”, de heterotopias, nao é exatamente o que ele considera como tal. De início ele já separa os “lugares de passagem”, do que ele vai explicar como heterotopia. Mas os instrumentos que ele usa pra discutir “territorio” (e ele nao usa nem uma vez essa palavra) sao importantes para nós, pelo menos é o que eu acho…

 

Tô bem intrigada com esse assunto e tô pensando em escrever um texto de verdade discutindo isso, que se ficar razoável pode ir pro catálogo, site ou sei lá. O problema é que só vou poder fazer isso depois do dia 15 de agosto, quando volto pra Paris, e vou ter um computador de verdade.

 

Mando tbem em anexo um pedacinho que eu adoro do “le corps utopique”. Só pra dar um gosto, vou tentar traduzir mais depois. Ricardo, nao se estressa, o Foucault tem um pouco essa idéia de que “eu tenho meu corpo”, mas é importante ver o contexto onde ele escreveu isso e ele desenvolve seus argumentos muito bem.

 

Vou mandar outro e-mail com fotos

 

Bjus enormes

Beti

ANEXO 1 – Le corps utopique

O corpo utópico

Meu corpo é o contrario de uma utopia, o que nao esta nunca sob um outro céu. Ele é o lugar absoluto, o pequeno fragmento de espaço com o qual, no sentido literal, eu “faço corpo”.

Meu corpo “topia” impiedosa (mon corps topie impytoiable) (…)

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Não lugar como lugar: minhas primeiras aproximações com o vídeo
julho 28, 2006, 2:18 am
Filed under: GERAL, REFERÊNCIAS, VÍDEO

Mensagem do Ricardo.

Me manifestei muito pouco até aqui com relação ao vídeo, mas tenho acompanhado atentamente os diálogos travados especialmente por Mi, Sté e Beti. Penso que talvez tenha alguma contribuição para fazer agora:

1- As Heterotopias Foucaultianas estão muito presentes em todos os nossos discursos. Me parece que a teoria foucaultina de maneira geral está em questão sempre. Estou separando algumas coisas que tenho dele aqui e levo no próximo encontro. É um cara que eu já li bastante… Em anexo (se eu conseguir anexar devidamente) um livro que pode nos ajudar, é de uma filosofa curitiba, escrevendo sobre ele. Sugiro especialmente os capítulos em que ela trata de “A história da loucura” e de “as palavras e as coisas”. Lembro que trata-se de um livro publicado, e que poratanto deve ser utilizado respeitando a autoria de Inês. Além disso, estou em contato com minha amiga que está na Espanha fazendo seu Pós-Doutorado em Foucault para ver no que ela pode nos ajudar.

2- Quanto à captação de imagens, vou insistir um pouco no que a Beti apontou algumas vezes: penso ser imprescindível que boa parte das imagens seja captada por couves. Talvez possa ser inclusive uma proposta estética interessante o jogo que se estabelece entre imagens da nossa mão e da mão “firme” de quem trabalha com isso a mais tempo. Talvez de forma muito bairrista e econômica, continuo apostando na quase autosuficiência do nosso coletivo… Enfim…

3- Mi: acho que o sentido de “territorio – Rio” se perdeu um pouco, não? Penso até que a proposta caminha para uma territorialidade que não admite um único sítio. Me parece que a tarefa é construir um sítio quase metafórico, mas que não deixa de ser muito real, concreto. Curto muito a idéia de inventar circuitos de metro, por exemplo.

4- Não sei se precisamos da semiótica Pierciana. Penso até que teríamos alguns problemas no confronto dessas teorias com as de foucault, por exemplo (o entendimento que os dois tem sobre a relação entre signo e significado são um tanto distintos). Além disso, me parece que não teríamos perna (e no meu caso, nem interesse) para aprofundar essas relações.

5- Uma idéia: como seria procurar não-lugares nos corpos que somos? existem trânsitos em nós? macroscópicamente? microscópicamente? Me vem a cabeça aquele vídeo de um Coreano que a Eleonora Fabião nos mostrou, com uma foto tirada a cada uma hora durante um ano inteiro, lembram?

Acho que por enquanto é isso.

Estou amando as idéias… precisamos começar a por a roda pra moer!

bjo carinhoso e saudoso do ri que ama vocês

ANEXO 1 – ARAÚJO, Inês. Foucault e a crítica do sujeito. Curitiba: UFPR, 2001.

Parte 1 | Parte 2



Heterotropia
julho 24, 2006, 7:24 am
Filed under: REFERÊNCIAS

Michelle Moura (22.07.06)

Retirado do livro Greenwich Village 1963. Avant-Garde, performance e o corpo esfervescente. P.27. Sally Banes Em seu ensaio “De outros espaços”, Michel Foucault inventa uma palavra nova: heterotopia. Heterotopia, explica, “são alguma coisa como contralocais, uma espécie e utopia efetivamente sancionada em que…todos os outros locais reais que podem se achados dentro da cultura são simultaneamente representados, contestados e invertidos”. As utopias podem servir como analogias ou inversões de uma cultura, mas as utopias são ficcionais, não espaços reais. As heterotopias, por outro lado, são espaços reais que simultaneamente refletem e contestam a sociedade. Freqüentemente são locais de exceção, como prisões e hospitais psiquiátricos. O mesmo contralocal pode convir a diferentes funções em épocas diferentes, na história de uma sociedade. As heterotopias são capazes, como em teatros e jardins, de justapor simbolicamente diversos espaços num espaço único. E freqüentemente elas se tornam ao mesmo tempo penetráveis e isoladas por sistemas de entradas e saídas. Em nossa cultura, mostra Foucault, há heterotopias tanto de ilusão como de compensação – servindo este último tipo como um modelo mais perfeito e mais ordenado (como em certas colônias) do que seu original. Quero propor Greenwich Village como uma heterotopia da nação no princípio da década de 1960, mas de uma modalidade que oferece uma compensação inversa. Isto é, Greenwich Village é uma heterotopia mais livre, mais desordenada, menos perfeita do que os outros espaços reais da sociedade americana, uma sociedade que, como foi percebido por alguns, estava tornando-se crescentemente burocratizada e tecnocrática.



camera, meninos, lançamento…na real, tudo!
julho 24, 2006, 7:00 am
Filed under: AÇÕES, GERAL, PERFORMANCE, REFERÊNCIAS, VÍDEO

Michelle Moura (19.07.06)

Sté, entendo melhor agora as coisas em respeito a cam. Sim sim eu naum sabia dessas questões de que minidv naum é um tipo de cam, mas existem várias cams que usam minidv. Agora comprendido. Veja qtas coisas tô aprendendo com essa história de vídeo!! Tbm acho importante termos qualidade na captação pra dispendermos menos tempo com a ilha de edição. De acordo!  Assim como continuo de acordo com a questão compra de cam pra registros em geral.

Beti, sim agora tô ligada no texto…verdade tá aqui sim. Eu tentei ler logo q ganhei de ti…meu q dificíl.. vou adorar o seu resumo! Esses tempos meus aqui carioca tenho me dedicado menos q em outros tempos aos estudos téóricos…mas nossa, me dá um prazer indescritível, ouvir, ler, saber esse tipo de coisas. Adorei suas escritas reflexivas sobre corpo/território. Continue, tá!?

Ri, agora que saquei que naum te respondi o e-mail do processo de vcs. Tô aqui já bolando coisas pra vcs! Dê a partida e eu corro junto!!

ESTOU MALUCA! UMA URUCUBACA BATEU! Já tinha falado que minha cam tinha voltado do conserto…aí, tbm falei que ela re-estragou no 2°dia em q fui usá-la…Pensei na Mônica me acompanhar para as fotos, mas ela está atolada de ensaios do “Focus”, um grupo contempojazz q ela tbm dança…enfim, naum posso contar com ela pras fotos, pois amanhã ela tá indo pra Jlle dançar com o Focus… A cam da Karenina é muito ruim…fez aquelas fotos que mandei do metrô…ficam escuras e naum dá pra fazer filminhos. Minha cam volta pro conserto semna q vem. O conserto é em Ctba! E eu…eu só volto pro Rio em agosto…e ainda nuam fiz as fotos cariocas com a Couve. Meu tô angustiada, sei q vcs nada podem fazer por mim…mas preciso compartilhar isso com vcs.

Rs!

Gurias, vou cada vez mais me excitando com a idéia de “naum lugares”, lugares de passagem, como metro, escadas rolantes, bus, pontes. A “ligação” entre um lugar e outro é um “naum lugar”… hehehe. E se corpo é território, o que acontece com ele em um “naum lugar”? Viaja pra outros lugares potenciais, só com a mente? Agrupando-se e colando em outros territórios/corpos. Yeah, fazer amor é isso! Isso quer dizer que aquelas placas q fotografei do metrô, que lembrar questões fálicas, sexuais e familiares, tudo tem haver com nossas questões “de lugar, naum lugar”. Hum,. veja só, tudo dentro, tudo se ligando. Vou pensar melhor nessas questões….e fazer como vc Beti: anotações em caderninhos.

Ricardo, já naum sei mais seu novo e-mail GMAIL. Alguém pode encaminhar esse e-mail pro gmail do RI? Por favor!!

Gus, qdo fica pronto nosso lugar de exposição desses mails no site? Realmente já acho interessante q pessoas possam estar acompanhando a história toda! Opinando, contribuindo, etc.

Como é que tá a idéia do lançamento? Ainda será no início de agosto?

Diz aí!!!

Beti boa viagem!!

Beijos a todos



para todos sobre atas, ideias, camera, e couves que despencam do céu
julho 24, 2006, 6:55 am
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Elisabete Finger (20.07.06) 

Oi gente,
primeiro tenho que dizer que amo vcs e adoro ler os e-mails couve, morro de rir com as atas do Gustavo e e acho voces todos muito criativos, inteligentes, descolados, etc. Pena que a internet ta dificil pra mim, tenho que ir na casa dos amigos pq no cafe eles tem a pachorra de cobrar 2 euros por 15 minutos!

Fin,
vou tentar ir por partes mas as coisas se misturam.
Déjà acho uma boa comprar a camera. importantissimo, e eu mesma to pensando em comprar uma pra mim, pq agora sai de vez de Angers e nao tem mais a mamata do CNDC pra emprestar aparelhos tecnicos, donc tenho apenas a minha sonysinha digital pras fotos e filmes de 1m e 27s. Vou dar uma olhada no preço das digitais usadas pra ver se da pra pagar, mas to super mega sem dinheiro.
Falando da camera e das minhas possibilidades, vou tentar te mandar meus filmes de ponte daqui a pouco Sté, mas to achando dificil. Coloquei na resoluçao maxima 4 mega pixels, mas eu posso ver os quadradinhos no filme, acho que a qualidade das imagens vai pegar messsssmo. E os arquivos sao super pesados, talvez nao dê pra mandar por mail, to pensando em gravar um cd e mandar pelo correio. Acho que o que vai rolar mais sao fotos, que eu posso enviar facilmente (Aliàs Sté, diz pra mim com quantos megapixels de resoluçao é melhor fazer as fotos, de modo que elas sejam trabalhaveis para o video. Minha maquina tem opçao 1mega, 3 ou 4. Se der pra fazer em 1 posso tirar mais fotos de cada vez… diz o que vc acha). Vou continuar a fazer os filmes de pontes e vou estender para escadas rolantes, metrôs, trens, esses lugares de passagem, “nao lugares” do Foucault. Michelle, isso ta no texto que eu te dei “les hetorotopyes” (agora nao sei se é assim que escreve). Sei que ta em francês e é foda, mas vale muito à pena. Vou tentar fazer um resumao pra um proximo e-mail e mando pra vcs. Mas, agora me lembrei que o Gus também deve ter isso, se ele foi pegar o cd que eu deixei com a minha mae. Nele tem dois textos chave: “les heterotopyes” e “le corps utopyque”. os dois sao exelentes e tem tudo a ver. No segundo ele fala claramente do corpo como o contrario de uma utopia, como uma “topia” impiedosa, “um lugar (e eu acrescento: um territorio) ao qual estamos condenados”; e entao me lembro da celebre frase “sujeito e territorio sao indissociàveis”, biensûr pq o corpo é o primeiro territorio. No mesmo texto Foucault desenvolve a ideia e diz que na verdade o corpo é o centro de todas as utopias, que construimos “nao lugares”, no corpo e fora dele, e que em busca dessas utopias nos afastamos do corpo, e ele termina dizendo “… e se gostamos tanto de fazer amor, é porque é no ato de fazer amor que sentimos o corpo, meu e do outro, aqui e agora” (Traduçao tabajara de Finger, Elisabete).
o que me faz pensar na conversa da Reuniao de sabado…
Vou continuar em outro e-mail pra nao ficar muito comprido
beijo



Resposta à Michelle sobre idéias e cronograma de criação do vídeo
julho 24, 2006, 5:58 am
Filed under: GERAL, REFERÊNCIAS, VÍDEO

Stéphany Mattanó (09.07.06)

Nossa, que boa a sua resposta…

Deixei claro tanto pro Henrique quanto pro Pablo que a pessoa que fará o serviço deverá estar envolvida com ele, com o intuito de realizar algo artístico também (mérito). Os dois se interessaram muitíssimo em poder realizar o projeto. Mas precisamos sabr o que queremos com cada um deles. Exatamente. Acho que o material deve ser captado por outra pessoa. Acredito mais neste caso na sensibilidade e disponibilidade do Pablo com a câmera, e o Henrique com a visualização do produto pronto, animações, edição, finalização, conceito…Mas volto a importância desta nossa idéia estar mais cristalizada para que possamos designar tarefas.

Estive lendo a entrevista do Leonel Brum da relaché, que me abriu horizontes também…juntamente com o link que o Paulo Biscaia passou “play on earth”…juntamente com o site que você passou também.

Então, o contato com o Paulo Biscaia surgiu após eu ter visto um vídeo dele e ter sacado algumas coisas do que a gente havia conversado sobre ambientes urbanos, chamado

“Fremden in einen zug”

veja:

http://web.mac.com/biscaia/iWeb/videos/fiez.html

Em suma: o Paulo pega um monte de fotos que ele tirou de pessoas dentro dos trens urbanos de Berlim numa camerazinha podre, segundo ele. ele faz todo o movimento na edição. O conceito do movimento é fundamental para que tenhamos uma visão de um instante da vida daquela pessoa. E nenhum pacto foi feito anteriormente. “Compartilhando histórias silenciosamente”, não é demais? Talvez entramos na mesma questão que envolve a performance da Cris. O pacto (relação obra e audiência) se dá pela obra, a obra vai criar esta relação, sem a presença da pessoa que o fez ali… doido…

em seguida, o primeiro contato com ele, antes daquela conversa que lhe enviei, que ele fala sobre este vídeo e o movimento:

STÉ- não sei se há trilha construída para este trabalho, mas o silêncio neste vídeo foi a melhor trilha que eu já ouvi… Muito estranho pensar assim?
PAULO- Pode ser legal. Eu não consigo viver sem música , então é difícil ver um trabalho meu em silêncio por muito tempo.
STÉ- As imagens são fotos ou stills de um vídeo?
PAULO- Não. são de uma câmera digital fotográfica capenga que eu comprei lá.STÉ – Você não conseguiu uma movimentação sem tremores na captação do trem e criou esta movimentação, ou foi uma opção proposital em se trabalhar ação (movimento) em cima de fotos (mini-instante, fração de segundo de vida)?

PAULO- O Instante. Eu queria colecionar pessoas. Tenho centenas de fotos de pessoas que sentavam perto de mim nos trens quando eu estava lá. usei apenas algumas. Coloquei movimento na edição.

STÉ – Fale sobre sua aparição no final do vídeo…Este vídeo tem a intenção de ser auto-biográfico, tipo, seu olhar em Berlim???

PAULO- Claro. É o meu olhar. É o olhar de quem vê e no final eu revelo o outro lado.

STÉ Ah, me interessa muito este “pacto” não previamente estabelecido entre as pessoas que freqüentam ônibus, trens, aviões. Você não combinou de estar naquela mesma hora e local com estas pessoas que de alguma forma se relacionam (ou procuram fingir que não) por alguns instantes.

PAULO- Claro que não . Na verdade a palavra pacto é um trocadilho como o título, que quer dizer “Estranhos num trem” e vem do filme de Hitchcock “Strangers on a Train”, que no Basil se chamou “Pacto Sinistro”. Era a histórioa de dois sujeitos que se encontravam casualmente num trem e faziam um pacto de morte ali. O fato é que nós compartilhamos história sobre nós ali. Olhando pra essas pessoas fazemos a história da vida delas , assim como elas fizeram de mim (daí o reflexo no espelho).

STÉ – Daí que eu estou concebendo junto à Michelle Moura, e o coletivo couve-flor, um vídeo arte ou vídeo dança (ainda não definimos formato ao certo) para aquele projeto aprovado pela FUNARTE, (…) E sob este prisma não existe o caráter documentário, pois sempre é “uma visão” sobre o todo, captado de uma forma bem eficaz para que a idéia, a metáfora sobreviva.

PAULO – Legal. Promete belos resultados.

STÉ – O exemplo de uma das idéias, é a metáfora/tema é “pra onde estamos indo?”, que é uma pergunta a ser feita repetidamente para as pessoas que estão neste transporte. Só que as reações terão que ser captadas de uma forma oculta, pois o que interessa pro vídeo é a captação da dúvida no rosto das pessoas. E na versão ao vivo da ação, o que importaria mais é “fazer a pergunta, gerar ação, sem a pretensão que este instante dure. É um instante de vida que só aconteceu naquele exato momento e jamais será igual”.
PAULO – Pra mim o que mais vale é essa sua última frase.

*** IDÉIAS****

Pensando nesta tua idéia das mensagens de ônibus, gostaria de apimentar nossa conversa. Que é sobre as mentiras ou formas de programação de pensamento, que inclusive poderia ser o título (a mais apressada).

Como ouço nos ônibus em Curitiba, mentiras ou “formas de programação de cérebros” do tipo:

“Ao embarcar nos ônibus, aguarde sempre o desembarque”

“Dê preferência às pessoas idosas, gestantes e deficientes”

“Cuidado com furtos no interior do veículo”

“Danificar ônibus, terminais e estações-tubo, bem como não pagar a passagem, encarecem a tarifa.” (Mentira, a tarifa já é um absurdo, ou seja a mensagem é na verdade: Se comporte, não vá fazer nada que vá modificar este ambiente)

“Próxima parada, Estação Silva Jardim, desembarque pelas portas 2 e 4” (Assim se controla a boiada, imagino a gente um bando de animais, que precisam ouvir pra onde devemos ir, por isto me interessa a questão da mensagem passada e como nosso corpo reage à esta norma, regra)

Estas mensagens geram ação, movimento em nós. Ficamos atentos a estes recados, ficamos com medo de ser assaltada no interior do veículo quando ouvimos a mensagem?

Por isso a pergunta: Pra onde estamos indo? Estamos indo para onde queremos, ou há oferta destas “mensagens” em demasia, o que nos deixa no lugar onde estamos?

E ainda na questão dos sinais, entramos aí no ramo da semiologia, está ligado ao significado que cada sinal, (signo) carrega, que pretende ser o mais simples possível que possui a função de informação, orientação, alienação? talvez…Eles não carregam nenhum sentido subjetivo além da sua função básica. Ex: banheiro dos homens, banheiro das mulheres. Eu não se entendi certo a sua idéia, mas você pretende relativizar o sentido original do signo, por exemplo, o Chile te leva a algum outro lugar imaginário? Será que é assim para todo mundo? Você gostaria de frisar esta sua “viagem” de pensamento? Você pode estar se deslocando duplamente de lugar físico???
Sugestão de cronograma: (a ser definido)

criação-levantamento d idéias e elaboração de roteiro: 31 de agosto

captação de imagens: 1ª quinzena de setembro

edição e finalização: 2ª quinzena de setembro à final da 1ª quinzena de outubro

Guria, tô louca para ver as fotos

Beijocas da Stéphany

P.S. Desculpe-me o comprimento do e-mail, espero tornar-me mais dinâmica e orgânica no nosso processo com o tempo (as vezes me acho tão prolixa…)



Ação via site – Assinatura acontecimento contexto
julho 24, 2006, 5:36 am
Filed under: AÇÕES, GERAL, REFERÊNCIAS

Gustavo Bitencourt (08.07.06)

Como mencionei na ata, estou começando a esboçar a idéia de uma ação que acontece pelo site. A questão é “o que, de SEU, você tem para doar, de forma IRREVOGÁVEL?”. Pensei em algo assim: a pessoa entra no site, num link específico, e preenche um formulário com nome, endereço no MSN, horários em que está online, idade, e o que ela tem que possa doar de forma irrevogável. Ali também haverá um textinho explicando que estamos abertos a propostas, e que podemos até fazer trocas, mas que toda a negociação vai se dar por MSN.

Assim, a pessoa entra no MSN lá um dia e a gente negocia. Fala por exemplo “eu posso doar, sei lá, as cinzas da minha mãe depois que ela morrer” e aí a gente vai negociando em que termos, para que usos, qual o prazo, qual a finalidade, como será o envio, etc. A partir disso será elaborado um contrato, bem específico e detalhado, que será assinado, em 2 vias, com firma reconhecida, etc. A pessoa também terá que aceitar, já no início, que toda a negociação, bem como o contrato gerado possam ser divulgados tanto pelo site bem como para outros usos na divulgação do projeto. (com exceção, é claro, de dados pessoais – nome, endereço, RG, etc.)

Isso porque a idéia de território me remete diretamente à posse, e é esse aspecto que está me interessando agora. Me interessa questionar o conceito de MEU, SEU, PERTENCIMENTO, DOAÇÃO, COMPRA, VENDA, TROCA. O território do indivíduo versus coletivo.

Isso tudo começou com um capítulo chamado “Assinatura acontecimento contexto” do “Limited Inc.”, do Derrida (http://www.hydra.umn.edu/derrida/sec.html – vou ver se xeroco a versão em português que eu tenho e mando pra todos). Mas aí chega num ponto que eu quero falar com todo mundo, entre parênteses. Acho que a gente tá muito louco para executar e experimentar coisas e está deixando um pouco de lado as referências teóricas. Eu estou me sentindo muito perdido teoricamente, acredito que todos nós estamos, e que a gente está precisando fazer um trabalho SÉRIO de pesquisa de referências.

Estou compartilhando esse começo de idéia aqui, pra que a gente já possa trocar coisas. Falem sobre, sim?

Beijos.