couve-flor tronco e membros


Resposta à Michelle sobre idéias e cronograma de criação do vídeo
julho 24, 2006, 5:58 am
Filed under: GERAL, REFERÊNCIAS, VÍDEO

Stéphany Mattanó (09.07.06)

Nossa, que boa a sua resposta…

Deixei claro tanto pro Henrique quanto pro Pablo que a pessoa que fará o serviço deverá estar envolvida com ele, com o intuito de realizar algo artístico também (mérito). Os dois se interessaram muitíssimo em poder realizar o projeto. Mas precisamos sabr o que queremos com cada um deles. Exatamente. Acho que o material deve ser captado por outra pessoa. Acredito mais neste caso na sensibilidade e disponibilidade do Pablo com a câmera, e o Henrique com a visualização do produto pronto, animações, edição, finalização, conceito…Mas volto a importância desta nossa idéia estar mais cristalizada para que possamos designar tarefas.

Estive lendo a entrevista do Leonel Brum da relaché, que me abriu horizontes também…juntamente com o link que o Paulo Biscaia passou “play on earth”…juntamente com o site que você passou também.

Então, o contato com o Paulo Biscaia surgiu após eu ter visto um vídeo dele e ter sacado algumas coisas do que a gente havia conversado sobre ambientes urbanos, chamado

“Fremden in einen zug”

veja:

http://web.mac.com/biscaia/iWeb/videos/fiez.html

Em suma: o Paulo pega um monte de fotos que ele tirou de pessoas dentro dos trens urbanos de Berlim numa camerazinha podre, segundo ele. ele faz todo o movimento na edição. O conceito do movimento é fundamental para que tenhamos uma visão de um instante da vida daquela pessoa. E nenhum pacto foi feito anteriormente. “Compartilhando histórias silenciosamente”, não é demais? Talvez entramos na mesma questão que envolve a performance da Cris. O pacto (relação obra e audiência) se dá pela obra, a obra vai criar esta relação, sem a presença da pessoa que o fez ali… doido…

em seguida, o primeiro contato com ele, antes daquela conversa que lhe enviei, que ele fala sobre este vídeo e o movimento:

STÉ- não sei se há trilha construída para este trabalho, mas o silêncio neste vídeo foi a melhor trilha que eu já ouvi… Muito estranho pensar assim?
PAULO- Pode ser legal. Eu não consigo viver sem música , então é difícil ver um trabalho meu em silêncio por muito tempo.
STÉ- As imagens são fotos ou stills de um vídeo?
PAULO- Não. são de uma câmera digital fotográfica capenga que eu comprei lá.STÉ – Você não conseguiu uma movimentação sem tremores na captação do trem e criou esta movimentação, ou foi uma opção proposital em se trabalhar ação (movimento) em cima de fotos (mini-instante, fração de segundo de vida)?

PAULO- O Instante. Eu queria colecionar pessoas. Tenho centenas de fotos de pessoas que sentavam perto de mim nos trens quando eu estava lá. usei apenas algumas. Coloquei movimento na edição.

STÉ – Fale sobre sua aparição no final do vídeo…Este vídeo tem a intenção de ser auto-biográfico, tipo, seu olhar em Berlim???

PAULO- Claro. É o meu olhar. É o olhar de quem vê e no final eu revelo o outro lado.

STÉ Ah, me interessa muito este “pacto” não previamente estabelecido entre as pessoas que freqüentam ônibus, trens, aviões. Você não combinou de estar naquela mesma hora e local com estas pessoas que de alguma forma se relacionam (ou procuram fingir que não) por alguns instantes.

PAULO- Claro que não . Na verdade a palavra pacto é um trocadilho como o título, que quer dizer “Estranhos num trem” e vem do filme de Hitchcock “Strangers on a Train”, que no Basil se chamou “Pacto Sinistro”. Era a histórioa de dois sujeitos que se encontravam casualmente num trem e faziam um pacto de morte ali. O fato é que nós compartilhamos história sobre nós ali. Olhando pra essas pessoas fazemos a história da vida delas , assim como elas fizeram de mim (daí o reflexo no espelho).

STÉ – Daí que eu estou concebendo junto à Michelle Moura, e o coletivo couve-flor, um vídeo arte ou vídeo dança (ainda não definimos formato ao certo) para aquele projeto aprovado pela FUNARTE, (…) E sob este prisma não existe o caráter documentário, pois sempre é “uma visão” sobre o todo, captado de uma forma bem eficaz para que a idéia, a metáfora sobreviva.

PAULO – Legal. Promete belos resultados.

STÉ – O exemplo de uma das idéias, é a metáfora/tema é “pra onde estamos indo?”, que é uma pergunta a ser feita repetidamente para as pessoas que estão neste transporte. Só que as reações terão que ser captadas de uma forma oculta, pois o que interessa pro vídeo é a captação da dúvida no rosto das pessoas. E na versão ao vivo da ação, o que importaria mais é “fazer a pergunta, gerar ação, sem a pretensão que este instante dure. É um instante de vida que só aconteceu naquele exato momento e jamais será igual”.
PAULO – Pra mim o que mais vale é essa sua última frase.

*** IDÉIAS****

Pensando nesta tua idéia das mensagens de ônibus, gostaria de apimentar nossa conversa. Que é sobre as mentiras ou formas de programação de pensamento, que inclusive poderia ser o título (a mais apressada).

Como ouço nos ônibus em Curitiba, mentiras ou “formas de programação de cérebros” do tipo:

“Ao embarcar nos ônibus, aguarde sempre o desembarque”

“Dê preferência às pessoas idosas, gestantes e deficientes”

“Cuidado com furtos no interior do veículo”

“Danificar ônibus, terminais e estações-tubo, bem como não pagar a passagem, encarecem a tarifa.” (Mentira, a tarifa já é um absurdo, ou seja a mensagem é na verdade: Se comporte, não vá fazer nada que vá modificar este ambiente)

“Próxima parada, Estação Silva Jardim, desembarque pelas portas 2 e 4” (Assim se controla a boiada, imagino a gente um bando de animais, que precisam ouvir pra onde devemos ir, por isto me interessa a questão da mensagem passada e como nosso corpo reage à esta norma, regra)

Estas mensagens geram ação, movimento em nós. Ficamos atentos a estes recados, ficamos com medo de ser assaltada no interior do veículo quando ouvimos a mensagem?

Por isso a pergunta: Pra onde estamos indo? Estamos indo para onde queremos, ou há oferta destas “mensagens” em demasia, o que nos deixa no lugar onde estamos?

E ainda na questão dos sinais, entramos aí no ramo da semiologia, está ligado ao significado que cada sinal, (signo) carrega, que pretende ser o mais simples possível que possui a função de informação, orientação, alienação? talvez…Eles não carregam nenhum sentido subjetivo além da sua função básica. Ex: banheiro dos homens, banheiro das mulheres. Eu não se entendi certo a sua idéia, mas você pretende relativizar o sentido original do signo, por exemplo, o Chile te leva a algum outro lugar imaginário? Será que é assim para todo mundo? Você gostaria de frisar esta sua “viagem” de pensamento? Você pode estar se deslocando duplamente de lugar físico???
Sugestão de cronograma: (a ser definido)

criação-levantamento d idéias e elaboração de roteiro: 31 de agosto

captação de imagens: 1ª quinzena de setembro

edição e finalização: 2ª quinzena de setembro à final da 1ª quinzena de outubro

Guria, tô louca para ver as fotos

Beijocas da Stéphany

P.S. Desculpe-me o comprimento do e-mail, espero tornar-me mais dinâmica e orgânica no nosso processo com o tempo (as vezes me acho tão prolixa…)

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