couve-flor tronco e membros


Sobre o nosso último ensaio 05/09/06 – Texto escrito por Gustavo
setembro 12, 2006, 2:31 pm
Filed under: PERFORMANCE

por Gustavo Bitencourt
No último ensaio, estávamos eu e o Neto, e fizemos o seguinte: a proposta que eu trouxe era que um observasse o outro se movendo durante 40 minutos, e anotasse tudo o que visse, mas não apenas descrevendo, como também trazendo um olhar crítico, criticar uma dança. Depois que terminamos, pensamos que seria bom se outras pessoas usassem esse texto como uma partitura coreográfica. Compusessem sua própria leitura corporal dessas descrições críticas, inclusive porque pode ser bom lidar com o erro, com aquilo que não funcionou.

Eis o texto que eu escrevi:

É sempre difícil entrar em cena. Ele se coloca inseguro, ressabiado. Forma imagens vetoriais com o corpo, brinca com a idéia de passos. Frente e costas, passos sem sair do lugar. O figurino lembra uma peça de época. Em alguns momentos, a idéia de brincar com passos, com a extensão dos passos, lembra balé moderno, Graham.

Mas há persistência na idéia, uma intenção clara de levar isso adiante. O passo vira o foco, assim como o reflexo do passo, o signo passo é desmembrado em vários espelhos (como numa sala de espelhos). O performer tira o casaco e põe em jogo as diversas leituras do objeto casaco. Dança com o casaco, joga-o numa parede e estende-o no chão. Aos poucos o seu corpo começa a representar determinados movimentos do casaco. Ele balança no espaço e termina no chão.

Há então uma representação de movimentos de dança reconhecíveis, uma seqüência de cambrês, sapateado, que pretendem se transformar em outra coisa. Um retorno dos movimentos vetoriais do início, uma seqüência de poses. Essa idéia é então abandonada. De uma certa forma todos os movimentos que se seguem tem algo de cômico. Talvez pelos pés en dehors, lembram um pouco Chaplin. É retomada então a idéia dos passos a partir de um par de sapatos que estavam no chão. O performer cria um jogo em que lança aleatoriamente o par de sapatos pelo chão e procura reproduzir com os pés a posição em que caíram. Pega os sapatos e produz nels uma série de torções, que vai depois reproduzir com o próprio corpo.

Para então numa atitude pretensamente natural, sai do espaço de apresentação, conversa com alguém fora de cena, volta com uma chave, abre um armário que estava trancado, sai de cena pela escada. Parece que ao subir a escada, percebe a possibilidade de usar esse espaço como cena, mas não explora. Volta ao armário, onde há um aparelho de som. Tudo como já se esperava, tira de dentro da mochila um CD, como já tinha dado indício de que ia fazer. Espero a música para entender se a previsibilidade era intencional, parece que não. Há uma série de preparos do aparelho de som, volume, equalização, que criam uma expectativa fácil, uma expectativa sem supresa. Nunca há risco.

Ele coloca finalmente a música e dança. O movimento é fácil de ser absorvido, fluido demais. Coloca-se novamente em uma posição que deveria ser natural, pega o casaco do chão simulando dar uma explicação sobre ele, sem produzir sons, apenas movendo a boca (medo da fala?). Faz a mesma coisa com outros objetos, como um computador, um telefone celular. Faz uma série de passinhos, reproduz o ritmo dos passos de uma pessoa que passava pelo local. Troca a música e começa a a dançar novamente com movimentos inicialmente clichês, uma alusão a imagens símbolos dos anos 80 (tipo Flashdance). Ao esbarrar nos sapatos tenta retomar a idéia de jogá-los pelo chão e imitar a posição deles com os pés. O jogo já é reconhecível, fica desinteressante. Ele deixa essa idéia, e usa os cadarços para amarrar os sapatos aos ombros, traduzindo em seguida o balanço deles com os pés. Abandona novamente a idéia. Termina a sua apresentação ao toque do despertador do celular, e dizendo “Foi”.

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Comentário por chuvisyahooey




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