couve-flor tronco e membros


Sobre o nosso último ensaio 05/09/06 – Texto escrito por Neto
setembro 12, 2006, 2:38 pm
Filed under: Sem categoria

por Gustavo Bitencourt
No último ensaio, estávamos eu e o Neto, e fizemos o seguinte: a proposta que eu trouxe era que um observasse o outro se movendo durante 40 minutos, e anotasse tudo o que visse, mas não apenas descrevendo, como também trazendo um olhar crítico, criticar uma dança. Depois que terminamos, pensamos que seria bom se outras pessoas usassem esse texto como uma partitura coreográfica. Compusessem sua própria leitura corporal dessas descrições críticas, inclusive porque pode ser bom lidar com o erro, com aquilo que não funcionou.

Eis o texto que o Neto escreveu:

 

O performer entra direto para o lado esquerdo, faz pequenos movimentos com as mãos e roso. Sorri. Vai até o fundo, onde observa o espaço. Volta andando com as costas para o público e move as mãos com os braços presos ao lado do corpo. Mãos para tras, no cabelo, ao lado do corpo, vira de perfil.Vai andando direto para a lateral e abre a porta.Volta senta ao meu lado e tenta se colocar como público, mas não me convence, uma atuação fraca, pois ainda conserva o estado performático. (relação de apresentar algo) dá uma risadinha que sempre marca o estado de apresentação.

Gosto de ver o espaço vazio, mas este é o meu olhar e não um olhar provocado pelo performer; que ainda tenta chamar minha atenção estando do meu lado.Volta para cena e se posiciona ao lado de uma planta ao fundo. Ajoelha-se e posa para uma foto, agrada a planta. Uma das melhores cenas da coreografia.Volta aos movimentos pequenos de mãos, rosto e mão no rosto (risadinha característica de novo), já chatos. Os movimentos começam a se transformar, mas na verdade não saem do mesmo lugar.Um outro homem entra em cena, muito bom, claro e expressivo. Entra certeiro te o canto direito e começa a repetir um movimento com a mão para cima, estica uma mão para cima e um pé para baixo. O outro homem continua no meio com movimentos pequenos, até começar a acompanhar o outro com os movimentos.Seqüência muito boa, viva.Começa uma seqüência lenta, maior e com mais partes do corpo.Enquanto o outro homem sobe numa barra e fica no nível alto fazendo movimentos com uma velocidade normal.Começa a fala. (sobre convencer, mas não me convence).

Outro homem sai e volta.Um terceiro entra no meio da sala me cumprimenta, acontece uma passagem dos dois homens ao mesmo tempo.O outro homem volta fica atrás e repete o mesmo movimento com a mão, e depois com as duas. Volta com uma mão só e sai.Tudo enquanto o outro fala coisas que não faz sentido (enrolação).Começa uma seqüência das palmas que viajam pelo ombro (samba), pelas palmas de uma platéia, pelo ritual indígena. Faz movimentos lentos e fala sobre o dia, sobre coisas cotidianas. Butô / grito / voz interessante, mas se perde. Sorrisinho e tira sarro de si mesmo.Fala impostada funciona melhor que fala cotidiana.Irônico.Anuncia história dos sapatinhos.Narra história dos sapatinhos. Quando o sapato está pra baixo é muito bom. Desiste!! Por quê????

Volta para as mãos e rosto de sempre. Anuncia a dança das canoas. Explica (justifica) antes de fazer. Outro volta no fundo faz o mesmo movimento da mão e sai. Desenvolve a dança das canoas e não para de falar sobre a dança. Se move pelo espaço. Entra uma mulher passa para fora e fecha a porta que foi aberta no começo. Passa pelas janelas do lado de fora. Ele continua se movendo e falando sobre a dança das canoas. Acaba de falar repetindo a frase: “é uma concentração tão grande…” e “se concentra” em movimentos lentos e menores. Pára de novo em um ponto do espaço. Corpo lento – sem foco – pra que? – pra onde? – por quê? Volta a falar da dança das canoas. Sem atenção no corpo enquanto fala. Corpo desinteressante. Corpo perde a força que vai toda para fala. Repete gesto do outro homem baixo.

Uma mão para trás e outra para cima que remetem aos dois gestos dos dois homens.

Volta para o lado da planta e forma fotos interessantes, mas não dá tempo para elas. Come a planta e com isso perde a força da imagem. Que vai para uma ação boba e fraca. Volta ao eu lado faz desenhos com os pedaços de plantinhas. Acontece um efeito no teto que não faz sentido com o resto da cena. Olha o tempo e começa a história de seus namoros e o tempo acaba. Agradece esse dirige ao meu lado.

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1 Comentário so far
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Hum, achei bem curioso ler essa descrição do que um percebeu da dança do outro. Pode dar pano pra manga.
Gostaria de sugerir que a descrição que fiz do vídeo tbm pudesse funcionar como uma partitura para vcs. Reescrevo logo abaixo.
A coisa toda é assim:
.3 vídeos de aproximadamente 40 segundos cada.
.Cada quadro (fixo) consiste em uma pessoa (eu ou Sté), 3 assentos, uma janela, o reflexo da janela, e o que aparece fora da janela, também inclui todos os possíveis passageiros que passarem na frente da camêra.
.Cada vídeo repete o mesmo quadro e ação, que consiste em uma mudança de lugar/posição corporal.
.No 3° vídeo, a “pessoa” sai do metrô e faz uma dancinha.
.Finaliza com um X marcado próximo à janela.

Comentário por Michelle Moura




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