couve-flor tronco e membros


agosto 14, 2006, 9:06 pm
Filed under: VÍDEO

Michelle Moura 

Há muito tempo que eu, Sté ou Beti, não postamos nada sobre o vídeo. Nessa ausência do blog estavamos avaliando conceitos, pensando em como transpor nossas idéias para mídia vídeo e fazendo experiências de imagens (filmando!) pelo biarticulado e Pçª do Japão.Aconteceu que os territórios que agora nos parecem mais “próximos” são os virtuais. Os espaços de nossas percepções. Os diferentes estados corporais gerados por estas percepções. Território como extensão, projeção e criação do corpo/mente.No início de tudo, pensando em território como lugar recortado, delimitado, uma parte do todo, nos interessamos por “lugares de passagem”: metrô, ônibus, ponte. “Lugar de passagem” seria um “não-lugar” que tem como “função”: ligar, conectar, comunicar um lugar à outro. Um espaço entre. Pareceu interessante observar o nosso estado e das outras pessoas dentro do ônibus ou metrô. Há uma espera. Há introspecção. Espaços de possibilidades, potencialidades mentais. Estar aqui, e em termos de possibilidades, em muitos outros locais. O movimento é constante. E é assim que desejamos tratar território: como lugar não estável, fixo e estático. Mas como ações
em cadeia. O corpo/mente é o lugar/território escolhido.
Escolhemos um ponto de partida. Aêêê! Como o ônibus muito atrai e a Sté e o metrô me atrai, e neste momento estamos as duas em Curitiba, fomos ao biarticulado (que é uma espécie de metrô de superfície curitibana) captar algumas imagens para iniciar uma pesquisa “com olhar de câmera”. No início tudo parecia interessar, mas algo que apareceu logo de cara, foi optar por um único padrão de imagem. Ex: só mãos segurando no tubo do bus, só o chão e os pés, pessoas dormindo, a faixa que separa as duas pistas. Enfim, por fim, o que mais nos encantou foram as mãos que seguram o tubo do ônibus. Suas peculiaridades, movimentos. A enorme quantidade de mãos/corpos que deixam suas digitais num mesmo lugar à cada minuto. Será mais um território escolhido? O tubo do ônibus? Impresso por milhares de digitais, suores, peles…enfim, sabe-se lá o que deixamos onde tocamos…Eu com síndrome de organização, insisti para que fizéssemos um roteiro a partir de desdobramentos de imagens que seguissem sempre a mesma linha de raciocínio. Escolhemos um início, um meio e um fim: 1- mão no tubo do bus; 2- Mão acenando; 3- Dedo no nariz. O resultado não foi satisfatório, pois ficou muito cabeção. Ok. O que temos até agora de material são as seguintes coisas.Sobre a estética do vídeo (é certo falar assim?):1-    Zoom in e zoom out. Sempre considerando o corpo como ponto de saída e de chegada. Idéia de macro e micro. Ciclos.2-    Sobreposições de imagens. Recortes em pequenos quadrados. Referência: “Livro de Cabeceira” e outros filmes de Peter Greenway (http://cinefilosofia.com.sapo.pt/artigos/conteudo/corpogreenaway.htm)Sobre as ações que acontecem no vídeo:1-    Uma sequência de ações (quase uma coreografia curtinha). Que diferentes pessoas executam, sempre uma por vez, em um lugar diferente. É aí que se da o “entra no corpo, sai do corpo” (Zoom in e out!)2-    Um quadro fixo em um tudo de ônibus, captando por longo tempo as mãos que por ali passam.3-    Elemento surpresa: Musical no ônibus. Referência á “Dançando no Escuro” de Lars Von Trier, e tantos outros músicas americanos. Quando inicia a dança no trem.4-    As imagens em pequenos quadrinhos, sobrepostas ás outras, seriam: a Beti filmando sua própria travessia em uma ponte (em 1’27”). Entre outras filmagem com estética “tremida”, que eu gosto mas a Sté nem tanto. 

É isso por hora!

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2 Comentários so far
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Oi mi, desculpa demorar tanto tempo pra comentar, mas eu demorei até hoje pra ler esse seu texto. E tenho que dizer que compartilho da insegurança da Sté quanto ao blog, acho que é necessario criar o habito de escrever e ler atraves dele, mas até isso ser incorporado as informaçoes me parecem um pouco escondidas ou perdidas, confeço que eu sou um nabo na tecnologia, entao vou fazer o possivel pra me empenhar e utilizar melhor este instrumento.
Mas, voltando ao que vc escreveu sobre o video, acho mesmo que a gente tà em sintonia, pq eu daqui tava pensando em coisas muito parecidas, tô com uma expressao que nao me sai da cabeça, apesar de saber que se trata de uma rima pobre: “territorio transitorio”, corpo como territorio transitorio, lugares de passagem como territorio transitorio, obra de arte como a criaçao de um territorio transitorio… Escrevi um esboço com as coisas que eu estou lendo e que estao passando pela minha cabeça, mandei pro Gus e vou tentar colocar no blog. Tà bagunçado e cheio de Fernando Pessoa (minha nova paixao depois de Portugal), mas da pra pescar alguma coisa.
Estou fazendo muitos filmes por aqui e vou tentar incorporar a idéia das maos e pés. Na verdade se eu entendi a idéia é fazer um “gros plan” fixo (nivel mais alto para as maos e nivel mais baixo para os pés) e deixar as pessoas transitarem nele. Isso me lembra um filme do caralho que se chama “o setimo continente” do Michael Haneke, onde boa parte das imagens é feita em gros plan no nivel das açoes (maos e pernas), e a gente passa boa parte o filme sem ver os rostos das pessoas, e sim o que elas fazem, é genial, é também um murro no estômago mas se puderem vejam!
Acho importante também sempre voltarmos e nos concentrarmos no corpo: ponto de partida de chegada. Corpo entre partir e chegar… Vejam meu texto em processo, estou tendo idéias…
Beijo
Meu Deus! eu acredito muito no Couve!
Amo vocês!

Comentário por beti

É isso aí Beti, a sintonia é real, sinto que é.
Nossa única questões em relação aos pés é a cara de “tele jornal” que a coisa pode ficar, me entende!? Por isso, acabamos por nos focar nas mãos. Uma coisa que tenho pensado para o vídeo é o seguinte (já atando com a idéia de corpo como lugar de chegada e partida): Pensei em criar uma sequência de poucos movimentos de braços (e tudo que é da cintura pra cima, gravar em CD e mandar para algumas pessoas, em diferentes lugares. Essas pessoas irão decorar a “sequência”, escolher um local para realizá-la, e irão filmar e mandar pra gente (ou, a gente filma elas!). A idéia é agrupar inúmeros e diferentes corpos-territórios conectados por uma mesma ação. O que vc acha?
Beijo grandão

Comentário por Michelle Moura




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