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Stéphany Mattanó 04.09.06 Após primeiro dia de oficina, nada a fazer com trilhões de pessoas com
milhões de idéias na sala. Abandonei a minha idéia (por enquanto),
para tê-la somente como ponto de referência para a classifição dos
conceitos de videodança que adquiro agora.
Gostaria de passar as categorias que eu encaixei as idéias das mãos,
para melhor entender o que temos até então. Estas categorias criei
numa inspiração durante a oficina. Não foi a Tamara que pediu, fui eu
que inventei mesmo diante das questões levantadas em sala.Título: (Provisório, sugerido pela Sté no começo) “Sobre as formas de
programação de pensamento”
Tema: Mãos
Cenário: Territórios de passagem (ônibus, metrô, ponte, corrimão)
Transição de cenas (Efeitos): Zoom in e zoom out, refletindo a idéia
de macro/ micro.
Tipo de cenas: Representativas (dança em função da narrativa, ou seja
ela é que será criada a partir do tema); Documentais (encontraremos em
situações, objetos ou paisagens a narrativa que queremos, ou seja eu
registrarei um acontecimento e isso se tornará dança. Ele já carrega
consigo sua narrativa própria)
VÍDEO – IMAGEM + SOM = Áudiovisual – questões técnicas – Referências
de imagens: Peter Greenaway, Godart, Paik, etc…
DANÇA – MOVIMENTO = Artes Cênicas – questões cênicas – captar imagens
que desenhem o caminho do pensamento de uma pessoa quando esta se
encontra em um território de passagem
Acredito que esta seja uma materialização de um primeiro esboço de
Roteiro de Imagens. Me respondam o que acham.
Beijos
Stéphany Mattanó
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Ricardo Marinelli 04.09.06
Bacana Beti! Como é bom aprender com vocês, minha gente. O vinculo com a experimentação sempre acaba se revelando o melhor caminho. Mesmo que isso demande muitas vezes mais tempo, mais estrutura, mais paciência e as vezes mais grana. Me parece que uma coisa será muito importante para que possamos avançar metodológicamente na construção do vídeo: sugiro que comecemos a construir pequenas coisas. A Beti diz já estar fazendo isso, mas me parece que seria muito bacana que estes vídeos experimentais tivessem cara própria, se é que me entendem. Como se fossem pequenos vídeo-danças que se sustentam. Sei lá… pensei nisso como uma forma de a coisa começar a se materializar. Muita viagem? Bjo do rizão.
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Elisabete Finger 04.09.06
Amigos,
terminei o workshop do Pierre Leguillon neste sabado e foi muito muito inspirador, reflexoes e discussoes profundas sobre a “imagem”: produzir uma imagem, portar uma imagem, dar a ver uma imagem, “fazer corpo com uma imagem”….
falamos muito da presença de quem faz a imagem na imagem, e que uma das formas de se fazer presente é assumir o “tremor da camera”, é “fazer corpo com uma imagem” sem maiores artificios… claro que eu adorei isso e achei um otimo discurso para assumir o tremor das minhas imagens.
Pensei a semana toda que a fotografia e o video me interessam mais e mais por partirem de uma mesma reflexao de “composiçao de informaçoes” que a coreografia, tà tudo là: um corte no espaço, uma complexa e apaixonante idéia de tempo, o corpo de quem faz, o corpo de quem vê, o corpo de quem é imagem… Ontem eu li sobre o trabalho de um artista que pensava a imagem fotografica como uma “coreografia em pausa” ou uma “fotografia em movimento” (o nome do cara é Eduard Levé). Acho que é por ai… se a gente acredita que antes de existir uma dança contemporanea existe um pensamento e um olhar contemporaneo pra dança, e que esse mesmo pensamento e olhar pode organisar um video, entao a gente nao precisa necessariamente filmar uma “dancinha” pra chamar isso de “video-dança”. Também nao quero cair no relativismo absurdo de dizer que “tudo é tudo” e “qualquer coisa é qualquer coisa” e “o amor é cego, Deus é amor, Steve Wonder é Deus…”, mas acredito no potencial da arte e da dança de “falar” num outro canal de sensibilidade, que nao precisa ser necessariamente o “explicitamente rotulado dança”, sei que todo mundo ja sabe disso, mas repito pq faz parte do desenvolvimento da minha linha de raciocinio…Ainda nao acabei de ler sobre o Aby Warburg, por isso ainda nao rolou o “resumo-traduçao-tabajara”, e como sou leiga no assunto tenho um pouco de medo de me fascinar pelas informaçoes novas, entao quero consultar outras bases…mas ele me fez pensar nessa idéia de “imagem como territorio”, e aqui começo a desenvolver as minhas piras, que acho nao tem nada a ver com as dele. Acontece que re-olhei com muito carinho e atençao todas as imagens que fiz para o video, dentro dessa ideia de “territorios de passagem” e percebi que quase todas sao imagens do vidro da porta ou da janela do metrô, ou trem, reflexos e transparencias que constituem um “territorio” que faz habitar provisoriamente no mesmo plano a pessoa que esta sentada dentro do metro em frente à janela, os canos, cadeiras objetos dentro do metro, os riscos e pixaçoes no vidro, os riscos e pixaçoes nas estaçoes, as pessoas esperando do lado de fora, os cartazes, isso quando tudo nao é redobrado pela presença de um outro metrô que cruza o caminho do primeiro, de onde eu estou fazendo as fotos/videos (e às vezes eu ainda apareço no meio dessa cohabitaçao de imagens)… nao sei se da pra entender, mas é tanta gente, objeto, informaçao, se superpondo e dividindo o mesmo espaço bidimensional, e ao mesmo tempo poroso, permeavel, que eu achei lindo! E por acaso tem mesmo algumas cenas de maos nos canos…Outra familia de imagens é a das escadas rolantes que saem do subsolo do metrô e “entram na cidade”, me lembra a historia do “dentro e fora”, de um “zoom” que chega num outro lugar… Vou escrever mais com o material que eu vou mandar pelo correio.Quero aprofundar essa historia dos “reflexos”, escrever mais, pensar mais, mas fico feliz de ter descoberto isso na pratica, no fazer imagens… talvez esteja perto de um fil que me conduza aqui, mas quero pensar com as meninas um fio comum pra nos 3. Encerro temporariamente o capitulo videoSegue um proximo e-mail sobre a coreografia…Beijinho
Beti
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Preparar um trabalho e infiltra-lo nos espaços do cotidiano.
Ação em processo de Cristiane Bouger e Couve-flor – arquivo 2
15 de setembro de 2006
No decorrer da formulação deste trabalho e da construção do que haveria em cada pílula-presente (nome que substitui o termo “objetos-presente”), diversos problemas surgiram na expansão de significações que o projeto abre. Tento discorrer abaixo sobre algumas destas questões…
Pílulas de Deslocamento.
Problemática 1: O que há dentro de cada cápsula-presente?
Uma palavra que me incomodava neste trabalho era a palavra “objeto”. Criar um “objeto” artístico parecia retroceder uma etapa depois da performance art, além de suscitar internamente a questão de eu não ser uma artista das artes visuais. No primeiro momento imaginei uma composição que integraria fragmentos poéticos e dramatúrgicos, vídeo (DVD), fotografia, colagem, a inclusão de um objeto de consumo com sua nota fiscal anexada….
Isso, no entanto, me levava a uma segunda problemática: que questões se tornariam implícitas na relação da arte com os lugares de consumo? Não implicaria esta ação necessariamente numa relação de distribuição de arte? Isso traria um sentido não desejado ao meu trabalho: não se trata de infiltrar ou divulgar o meu trabalho artístico em territórios específicos, mas sim, de estabelecer uma ação que questionasse essa territorialidade específica dos lugares de consumo.
Assim, cheguei à compreensão de que precisaria me concentrar na ação e que o conteúdo da caixa deveria ser uma extensão desta ação em seu aspecto político. O conteúdo passaria a ser portanto, a mercadoria do lugar onde a caixa seria depositada: se deixo uma cápsula-presente numa prateleira de absorventes de um supermercado, dentro dela haverá, necessariamente, uma caixa de absorvente com a nota fiscal anexada.
No aspecto do conteúdo, encontrar gratuitamente aquilo que precisaria comprar, faz com que o lugar de consumo ganhe instabilidade. Num caixa eletrônico de banco, o conteúdo da cápsula-presente será uma nota de R$10,00. A câmera do caixa gravará a doação de dinheiro e não o roubo. Uma nova instabilidade se cria.
Cada objeto deverá ser comprado em um lugar diferente e a nota deve ser anexada a cada produto-presente.
A mudança das etiquetas
Isso levou a uma mudança fundamental nas etiquetas. Antes uma das opções de etiqueta era “Este objeto de arte é gratuito e foi feito para você”; Com a nova formulação passa a ser: “Este ato artístico agora é seu”.
A pessoa que encontra a cápsula-presente passa agora a ser responsável pelo ato artístico inicial encontrado e não apenas um receptor(a) do presente. A dúbia conotação da frase incita a continuidade da ação.
Definir Cronograma…
01. Reunir-se com os couves para a gravação da preparação coletiva das cápsulas-presente e registrar o processo e discussão deste trabalho no coletivo; Definir diretrizes sobre a ação e seu registro; Derivações e questões se abrirão para as etapas seguintes do trabalho que poderão ser redefinidas a partir das experiências iniciais.
02. Deixar as cápsulas-presente nos locais mapeados e realizar o registro. Gostaria de deixar e registrar no mínimo 10 cápsulas-presente.
03. Preparar os registros para a exibição na FNAC. Preparar uma cápsula-presente para ser deixada na FNAC.
Roteiro Básico Reformulado:
Entregar os objetos
· Ir aos lugares mapeados para a entrega dos primeiros 10 objetos-presente.
· Entrar em cada lugar e naturalmente deixar a cápsula-presente na prateleira escolhida. É indicado que as pessoas ao redor não vejam ou percebam a entrega (o foco do trabalho está centrado o encontro entre o vidente e o presente deixado e não no encontro entre o vidente e a artista nem no questionamento sobre a ação da artista deixar a cápsula-presente naquele local).
· O/a vídeo artista deverá realizar o mesmo itinerário com uma diferença de 15 minutos da entrega da artista e fotografar ou documentar os lugares/prateleiras onde a arte foi deixada, não importando se ela permanece naquele espaço ou não.
· Não deixar mais do que uma cápsula-presente em cada espaço.
· Na caixa de cada cápsula-presente será inscrito o e-mail: pilulasdedeslocamento@gmail.com (a definir)
Cristiane Bouger
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Ação em processo de Cristiane Bouger e Couve-flor
arquivo de 05 de julho de 2006
Parte 1 – 40 (pode ser outra quantidade) presentes-objetos deixados pra trás
Pílulas de Deslocamento investiga a poesia do “deixar para trás”, a beleza do descontrole sobre a reação alheia, a grandiosidade da efemeralidade e evanescência, a expectativa e a quebra de expectativa por não saber nada sobre um possível desenvolvimento de uma relação entre a interação da artista e seu participante potencial; contudo, o trabalho também pode ser definido como um ato político, conceitual e ritual. Essa ação poético-ativista (deixe arte e presentes poéticos no lugar de bombas!) investiga a relação entre vidente e visível (termos cunhados pela filosofia de Merleau-Ponty >>> aprofundar esses termos se for apropriá-los). O trabalho consiste na entrega de uma assemblage artística em prateleiras de lugares de consumo: supermercados, megastores, farmácias, livrarias, sexshops, caixas eletrônicos de agências bancárias… Cada objeto carregará uma subversão sígnica específica e será identificado com um dos rótulos amarelos em anexo.Todas as assemblages considerarão o ambiente no qual serão deixadas e utilizarão como meio a fotografia, design gráfico, poesia, vídeo, áudio, dramaturgia, vocalizações. Alguma coisa está para acontecer, uma dramaturgia potencial pode surgir, uma narrativa potencial… mas eu, enquanto artista, não testemunho o acontecimento. Apenas a potencialidade de um acontecimento me é revelada. As ocorrências e derivações de minha ação poética repousam veladas por trás de meus olhos: meus objetos-presente podem ser jogados no lixo, recusados, ignorados, verificados ou até mesmo aceitos. Compreendo que qualquer possibilidade consiste em uma resposta à poética do meu trabalho e complementa sua proposta. O trabalho pode ser ligado ao reverso com as ações Yomango (http://sindominio.net/lasagencias/yomango/es/diseno/index.htm) : ele presenteia no lugar de roubar. Dar um presente no lugar destinado a compra e venda subverte a relação espaço-função, cria desconfiança, mas também instaura a surpresa. O que significa dentro de um mercado, determinados objetos serem disponibilizados para livre apropriação? Pílulas de Deslocamento repensa questões (em que profundidade?) sobre arte e mercado, questionando diversas camadas de relação entre ambos: arte no mercado, arte para alimentar-nos, poesia do cotidiano, arte indesejada em um espaço “inapropriado”, fazer alguém feliz, desconfiado ou apenas surpreso com o inesperado. O ato de fazer algo e doar a alguém que eu nem sequer conheço e o fato de não ter nenhum retorno substancial imediato da minha ação artística interessa-me como uma aproximação diferenciada do fazer artístico e de seu processo desvinculado de qualquer caráter espetacular. Pode ser também definido como um ato espiritual sem a mediação de nenhuma crença religiosa. Da mesma forma, esta proposta artística existe sem a mediação da indústria do entretenimento ou do mercado artístico (embora seja financiada pelo Prêmio da FUNARTE). Preparar um trabalho e infiltra-lo nos espaços do cotidiano. Definições de forma e conteúdo: Minha maior crise é pensar essa forma…. não sou artista plástica…. não sei se algo em DVD não leva a outro lugar, gerando outras significações com relação à distribuição da arte….Nem sei se de fato chamarei de assemblage…Estou pensando muito, mas ainda não encontrei a forma…. Roteiro Básico:
Parte 1 – Entregar os objetos
1- Selecionar alguns locais possíveis para a entrega dos primeiros 10 objetos-presente.2- Realizar as composições artísticas (colagem, mensagens em DVD ou áudio, escritos, micro-instalações, fotografia, artes gráficas. É possível também que o pacote contenha um presente “ready-made” , como algum tipo de comida com a nota fiscal de compra, por exemplo). 3- Etiquetar todos os objetos com a etiqueta mais apropriada para cada lugar.4- Iniciar a trajetória de entregas. Entrar em cada lugar e naturalmente deixar a obra de arte na prateleira escolhida. É indicado que as pessoas ao redor não vejam ou percebam a entrega do objeto artístico (o foco do trabalho está centrado no encontro entre o vidente e a arte deixada e não no encontro entre o vidente e a artista nem no questionamento sobre a ação da artista deixar a arte naquele local).5- O/a vídeo artista deverá realizar o mesmo itinerário com uma diferença de 15 minutos da entrega da artista e fotografar ou documentar com vídeo os lugares/prateleiras onde a arte foi deixada, não importando se ela permanece naquele espaço ou não.6- Não deixar mais do que dois objetos-presente em cada espaço (ex: supermercado); quando dois objetos-presente forem deixados no mesmo espaço de consumo deverão ficar em prateleiras bem diferenciadas (ex: prateleira de produtos de limpeza e prateleira de congelados).7- Na caixa de cada objeto-presente será inscrito o e-mail: pilulasdedeslocamento@gmail.com8- Em cada assemblage, existirá uma foto da couve pink. (acham uma boa idéia? A obra passa a ser assinada) ************
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por Gustavo Bitencourt
No último ensaio, estávamos eu e o Neto, e fizemos o seguinte: a proposta que eu trouxe era que um observasse o outro se movendo durante 40 minutos, e anotasse tudo o que visse, mas não apenas descrevendo, como também trazendo um olhar crítico, criticar uma dança. Depois que terminamos, pensamos que seria bom se outras pessoas usassem esse texto como uma partitura coreográfica. Compusessem sua própria leitura corporal dessas descrições críticas, inclusive porque pode ser bom lidar com o erro, com aquilo que não funcionou.
Eis o texto que o Neto escreveu:
O performer entra direto para o lado esquerdo, faz pequenos movimentos com as mãos e roso. Sorri. Vai até o fundo, onde observa o espaço. Volta andando com as costas para o público e move as mãos com os braços presos ao lado do corpo. Mãos para tras, no cabelo, ao lado do corpo, vira de perfil.Vai andando direto para a lateral e abre a porta.Volta senta ao meu lado e tenta se colocar como público, mas não me convence, uma atuação fraca, pois ainda conserva o estado performático. (relação de apresentar algo) dá uma risadinha que sempre marca o estado de apresentação.
Gosto de ver o espaço vazio, mas este é o meu olhar e não um olhar provocado pelo performer; que ainda tenta chamar minha atenção estando do meu lado.Volta para cena e se posiciona ao lado de uma planta ao fundo. Ajoelha-se e posa para uma foto, agrada a planta. Uma das melhores cenas da coreografia.Volta aos movimentos pequenos de mãos, rosto e mão no rosto (risadinha característica de novo), já chatos. Os movimentos começam a se transformar, mas na verdade não saem do mesmo lugar.Um outro homem entra em cena, muito bom, claro e expressivo. Entra certeiro te o canto direito e começa a repetir um movimento com a mão para cima, estica uma mão para cima e um pé para baixo. O outro homem continua no meio com movimentos pequenos, até começar a acompanhar o outro com os movimentos.Seqüência muito boa, viva.Começa uma seqüência lenta, maior e com mais partes do corpo.Enquanto o outro homem sobe numa barra e fica no nível alto fazendo movimentos com uma velocidade normal.Começa a fala. (sobre convencer, mas não me convence).
Outro homem sai e volta.Um terceiro entra no meio da sala me cumprimenta, acontece uma passagem dos dois homens ao mesmo tempo.O outro homem volta fica atrás e repete o mesmo movimento com a mão, e depois com as duas. Volta com uma mão só e sai.Tudo enquanto o outro fala coisas que não faz sentido (enrolação).Começa uma seqüência das palmas que viajam pelo ombro (samba), pelas palmas de uma platéia, pelo ritual indígena. Faz movimentos lentos e fala sobre o dia, sobre coisas cotidianas. Butô / grito / voz interessante, mas se perde. Sorrisinho e tira sarro de si mesmo.Fala impostada funciona melhor que fala cotidiana.Irônico.Anuncia história dos sapatinhos.Narra história dos sapatinhos. Quando o sapato está pra baixo é muito bom. Desiste!! Por quê????
Volta para as mãos e rosto de sempre. Anuncia a dança das canoas. Explica (justifica) antes de fazer. Outro volta no fundo faz o mesmo movimento da mão e sai. Desenvolve a dança das canoas e não para de falar sobre a dança. Se move pelo espaço. Entra uma mulher passa para fora e fecha a porta que foi aberta no começo. Passa pelas janelas do lado de fora. Ele continua se movendo e falando sobre a dança das canoas. Acaba de falar repetindo a frase: “é uma concentração tão grande…” e “se concentra” em movimentos lentos e menores. Pára de novo em um ponto do espaço. Corpo lento – sem foco – pra que? – pra onde? – por quê? Volta a falar da dança das canoas. Sem atenção no corpo enquanto fala. Corpo desinteressante. Corpo perde a força que vai toda para fala. Repete gesto do outro homem baixo.
Uma mão para trás e outra para cima que remetem aos dois gestos dos dois homens.
Volta para o lado da planta e forma fotos interessantes, mas não dá tempo para elas. Come a planta e com isso perde a força da imagem. Que vai para uma ação boba e fraca. Volta ao eu lado faz desenhos com os pedaços de plantinhas. Acontece um efeito no teto que não faz sentido com o resto da cena. Olha o tempo e começa a história de seus namoros e o tempo acaba. Agradece esse dirige ao meu lado.
Arquivado em: PERFORMANCE
por Gustavo Bitencourt
No último ensaio, estávamos eu e o Neto, e fizemos o seguinte: a proposta que eu trouxe era que um observasse o outro se movendo durante 40 minutos, e anotasse tudo o que visse, mas não apenas descrevendo, como também trazendo um olhar crítico, criticar uma dança. Depois que terminamos, pensamos que seria bom se outras pessoas usassem esse texto como uma partitura coreográfica. Compusessem sua própria leitura corporal dessas descrições críticas, inclusive porque pode ser bom lidar com o erro, com aquilo que não funcionou.
Eis o texto que eu escrevi:
É sempre difícil entrar em cena. Ele se coloca inseguro, ressabiado. Forma imagens vetoriais com o corpo, brinca com a idéia de passos. Frente e costas, passos sem sair do lugar. O figurino lembra uma peça de época. Em alguns momentos, a idéia de brincar com passos, com a extensão dos passos, lembra balé moderno, Graham.
Mas há persistência na idéia, uma intenção clara de levar isso adiante. O passo vira o foco, assim como o reflexo do passo, o signo passo é desmembrado em vários espelhos (como numa sala de espelhos). O performer tira o casaco e põe em jogo as diversas leituras do objeto casaco. Dança com o casaco, joga-o numa parede e estende-o no chão. Aos poucos o seu corpo começa a representar determinados movimentos do casaco. Ele balança no espaço e termina no chão.
Há então uma representação de movimentos de dança reconhecíveis, uma seqüência de cambrês, sapateado, que pretendem se transformar em outra coisa. Um retorno dos movimentos vetoriais do início, uma seqüência de poses. Essa idéia é então abandonada. De uma certa forma todos os movimentos que se seguem tem algo de cômico. Talvez pelos pés en dehors, lembram um pouco Chaplin. É retomada então a idéia dos passos a partir de um par de sapatos que estavam no chão. O performer cria um jogo em que lança aleatoriamente o par de sapatos pelo chão e procura reproduzir com os pés a posição em que caíram. Pega os sapatos e produz nels uma série de torções, que vai depois reproduzir com o próprio corpo.
Para então numa atitude pretensamente natural, sai do espaço de apresentação, conversa com alguém fora de cena, volta com uma chave, abre um armário que estava trancado, sai de cena pela escada. Parece que ao subir a escada, percebe a possibilidade de usar esse espaço como cena, mas não explora. Volta ao armário, onde há um aparelho de som. Tudo como já se esperava, tira de dentro da mochila um CD, como já tinha dado indício de que ia fazer. Espero a música para entender se a previsibilidade era intencional, parece que não. Há uma série de preparos do aparelho de som, volume, equalização, que criam uma expectativa fácil, uma expectativa sem supresa. Nunca há risco.
Ele coloca finalmente a música e dança. O movimento é fácil de ser absorvido, fluido demais. Coloca-se novamente em uma posição que deveria ser natural, pega o casaco do chão simulando dar uma explicação sobre ele, sem produzir sons, apenas movendo a boca (medo da fala?). Faz a mesma coisa com outros objetos, como um computador, um telefone celular. Faz uma série de passinhos, reproduz o ritmo dos passos de uma pessoa que passava pelo local. Troca a música e começa a a dançar novamente com movimentos inicialmente clichês, uma alusão a imagens símbolos dos anos 80 (tipo Flashdance). Ao esbarrar nos sapatos tenta retomar a idéia de jogá-los pelo chão e imitar a posição deles com os pés. O jogo já é reconhecível, fica desinteressante. Ele deixa essa idéia, e usa os cadarços para amarrar os sapatos aos ombros, traduzindo em seguida o balanço deles com os pés. Abandona novamente a idéia. Termina a sua apresentação ao toque do despertador do celular, e dizendo “Foi”.
Arquivado em: PERFORMANCE
Estou postando aqui (tardiamente) o texto que o Ricardo escreveu no dia 09/08. Era uma tarefa que tínhamos estabelecido, pois não pudemos ensaiar juntos naquele dia. Cada um ia relatar o que estava fazendo, buscando alternar a cada meia-hora, um relato comum, e outro relato trazendo um olhar estético/performático para o cotidiano. Lá vai:
TAREFA DE 09/08 – RICARDO
9:30
As nove o celular despertou, eu havia pedido, para saber que a tarefa estava começando. Bastante tempo pensando sobre a tarefa e sem conseguir me concentrar em outra coisa. Chega a Dona Francisca e me chama de vagabundo pois não fui trabalhar. Fico um bom tempo tentando convence-la de que estou trabalhando. Ela não concorda. Vou à locadora devolver um filme. Penso na Madonna. Encontro a Karla na rua e não quero conversar, pressa para chegar antes das 9:30 em casa. Procuro papel. Lembro do tempo em que tudo era feito em papel com linhas. Começo o relato.
10:00
Preocupado com se conseguiria me deslocar pelo menos de casa até o banco em 20 minutos (entre 9:40 e 10:00). Consegui, mas sofri e corri. Enquanto corro penso pouco. Uma idéia só cabe na cabeça. Uma única idéia para quase meia hora. Mentira. Mas não é mentira.
10:30
Cheguei no Banco do Brasil as 10:02 e fiquei um tempo da fila escrevendo. Uma mulher atrás de mim na fila, esteve muito curiosa para ver o que eu escrevia. Perguntei, cordialmente, se ela queria ler. Ela se assustou e disse que não. Pensou que eu tivesse me ofendido, acho. Fiquei na fila até 10:32 e vi várias coisas lá: a gerente gorda com quem eu sempre brigo, ela sorriu pra mim daquele jeito “tomara que ele não queira falar comigo”. Vi que os estagiários são novos (outra vez). Eles sempre são novos e nunca sabem nada. Percebi que tiraram da parede um relógio que tinha lá. Com certeza em busca de enganar os idiotas que ficam horas na fila. A mulher me chama e como são 10:32 começo a escrever enquanto ela faz os pagamentos que entreguei.
11:00
Voltei pra casa, mas agora sabia que 20 minutos seriam suficientes, então tive menos pressa. Com menos pressa devo ter prestado atenção em várias coisas, mas dentre elas o trem passou e eu curto o trem. Ele tem uma nostalgia fedida que me interessa. Uma lentidão que me interessa. Uma retidão que me interessa. Uma certeza que me interessa. Talvez pela distância que isso tudo tem de mim.
11:30
Em casa novamente, as 11:05, tentei começar a leitura da quase última versão da monografia de um orientando de especialização. Trata de padrões heterossexistas nas práticas pedagógicas em EF. Não conseguia ler, de linha em linha comecei a pensar em mil coisas que iam para além disso. Isso me faz pensar que quando temos a tarefa, a tarefa é o que fazemos. Não outra coisa… Viu Dona Chica! Estou trabalhando! Levantei três vezes até chegar em 11:30. banheiro-comida-banheiro. Sintomas da desconcentração.
12:00
Adoro cozinhar. Me sinto generoso. E é só.
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Michelle, numa segunda-feira de sol no bairro Catete da cidade do Rio de Janeiro.
Vamos lá tentar explicar o que se passou nessa última semana de processo criativo.
A Stéphany esteve aqui no Rio durante toda a semana, e nós duas entramos numa imersão profunda de atividades: oficina de vídeo/dança da Tamara Cubas (a Sté escreverá como foi a oficina dessa pessoa especialíssima e uruguaia), mostra de vídeos do Dança em Foco, fazendo e repetindo experimentos em vídeo no metrô.
Sobre a criação do vídeo, já podemos falar que estamos saindo daquele momento de que “tudo é atraente”, para um momento de dar continuidade, lapidar e aprofundar uma mesma idéia. O momento agora é de aprimorar os procedimentos de criação. Na verdade passamos esses últimos 4 dias fazendo exatamente isso, repetindo a mesma “idéia/ação” para refinar como isso deve ser em termos de imagem de vídeo. O equipamento que estamos utilizando é o mais amador possível… filminhos com a câmera fotográfica, igual você Beti… a questão é: 1- que é esse o equipamento que tá na mão, 2- comecei a me atrair ainda mais pela textura singular criada por essa tecnologia, (fui encoraja pela Tamara) 3- os experimentos tem sido feitos todos os dias em que pego metrô, e é assim estou me especializando no uso dessa cam e do meu olhar para imagem em movimento. E foi o que aconteceu em todos esses dias à caminho da oficina da Tâmara: eu e Sté no metrô capturando imagens sem nenhuma pretensão. E foi assim que começamos a visualizar enquadramentos, situações e procedimentos específicos para os vídeos que fizemos nesses últimos 4 dias. Nossos principais problemas técnicos foram pouca iluminação, contraste e o movimento do metrô (inevitável!) que deixou o vídeo um tanto tremido. Pensamos em colocar o vídeo numa velocidade bem menor que a real, criando um clima “tô num barco” aproveitando o tremor da filmagem… Vixe, idéias de edição surgiram mil. Ficamos de experimentá-las essa semana que eu for à Curitiba.A coisa toda é assim: .3 vídeos de aproximadamente 40 segundos cada. .Cada quadro (fixo) consiste em uma pessoa (eu ou Sté), 3 assentos, uma janela, o reflexo da janela, e o que aparece fora da janela, também inclui todos os possíveis passageiros que passarem na frente da camêra. .Cada vídeo repete o mesmo quadro e ação, que consiste em uma mudança de lugar/posição corporal. .No 3° vídeo, a “pessoa” sai do metrô e faz uma dancinha. .Finaliza com um X marcado próximo à janela. Ricardo fomos contaminadas por sua sugestão de criarmos vídeos pequenos…
Nossa essa descrição tá bem embolada. Depois me contem que imagens estão sendo criadas na cabeça de vocês.
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amigos…
Estou aqui treinando o teletransporte pra ver se eu consigo chegar no Jokers hoje à noite, vamos ver se rola… Se nao der, bebam uns drinks por mim e comam muitos quitutes (pena que o Gus nao vai fazer os canudinhos de maionese…). Acredito muio nesse coletivo, nesse projeto, na vida e no amor. Com um pouco de romantismo, e com muito trabalho!
Escrevi uma resposta à ultima mensagem da Mi sobre o video, vejam em video-comentario.
E tive uma idéia: para a proxima reuniao, vamos tentar nos conectar pelo messenger com voz? Assim eu posso estar muito mais presente! Proponho isso tbem pra mi e sté, vamos falar sobre o video pelo messenger, é so combinar uma hora…
Vou tentar colocar o texto bagunçado (processo de criaçao de um texto) que eu tô escrevendo no blog, se eu nao conseguir eu mandei uma copia pro Gus (ajuda?)
Beijos miles pra todos
Beti