Mensagem do Ricardo.
Me manifestei muito pouco até aqui com relação ao vídeo, mas tenho acompanhado atentamente os diálogos travados especialmente por Mi, Sté e Beti. Penso que talvez tenha alguma contribuição para fazer agora:
1- As Heterotopias Foucaultianas estão muito presentes em todos os nossos discursos. Me parece que a teoria foucaultina de maneira geral está em questão sempre. Estou separando algumas coisas que tenho dele aqui e levo no próximo encontro. É um cara que eu já li bastante… Em anexo (se eu conseguir anexar devidamente) um livro que pode nos ajudar, é de uma filosofa curitiba, escrevendo sobre ele. Sugiro especialmente os capítulos em que ela trata de “A história da loucura” e de “as palavras e as coisas”. Lembro que trata-se de um livro publicado, e que poratanto deve ser utilizado respeitando a autoria de Inês. Além disso, estou em contato com minha amiga que está na Espanha fazendo seu Pós-Doutorado em Foucault para ver no que ela pode nos ajudar.
2- Quanto à captação de imagens, vou insistir um pouco no que a Beti apontou algumas vezes: penso ser imprescindível que boa parte das imagens seja captada por couves. Talvez possa ser inclusive uma proposta estética interessante o jogo que se estabelece entre imagens da nossa mão e da mão “firme” de quem trabalha com isso a mais tempo. Talvez de forma muito bairrista e econômica, continuo apostando na quase autosuficiência do nosso coletivo… Enfim…
3- Mi: acho que o sentido de “territorio – Rio” se perdeu um pouco, não? Penso até que a proposta caminha para uma territorialidade que não admite um único sítio. Me parece que a tarefa é construir um sítio quase metafórico, mas que não deixa de ser muito real, concreto. Curto muito a idéia de inventar circuitos de metro, por exemplo.
4- Não sei se precisamos da semiótica Pierciana. Penso até que teríamos alguns problemas no confronto dessas teorias com as de foucault, por exemplo (o entendimento que os dois tem sobre a relação entre signo e significado são um tanto distintos). Além disso, me parece que não teríamos perna (e no meu caso, nem interesse) para aprofundar essas relações.
5- Uma idéia: como seria procurar não-lugares nos corpos que somos? existem trânsitos em nós? macroscópicamente? microscópicamente? Me vem a cabeça aquele vídeo de um Coreano que a Eleonora Fabião nos mostrou, com uma foto tirada a cada uma hora durante um ano inteiro, lembram?
Acho que por enquanto é isso.
Estou amando as idéias… precisamos começar a por a roda pra moer!
bjo carinhoso e saudoso do ri que ama vocês
ANEXO 1 – ARAÚJO, Inês. Foucault e a crítica do sujeito. Curitiba: UFPR, 2001.
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Oi minha gente linda.
Depois de dois dias tentando entender como funciona o Blog acho que agora vou conseguir lidar com ele… Ficou ótimo, Gus, mas eu levo um certo tempo para entender esses mecanismos.
Bem, estou de volta a vida. Confesso que um tanto confuso, mas me sinto com maiss possibilidades de pensar o projeto agora. Aconteceram umas coisas muito estranhas nos últimos dias e isso mexeu muito comigo. Há tempos não me sentia com medo e desanimado. Agora me sinto.
Mas não há de ser nada. Desculpem a ausência no sábado, desculpem a ausência na semana passada toda e saibam que Fênix acaba de aparecer.
Pronto, chega de chororo.
AMO MUITO VOCÊS, GENTE. E TORÇO POR NÓS.
Bjo do ri.
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este:
http://www.fiatmostrabrasil.com.br/pt-br/inscricoes/index.jsp
e este outro:
http://www.goianiamostracurtas.com.br/
(este último na verdade não tem muito o perfil do projeto e eles tão pedindo pra mandar o filme já pronto. porém, penso que talvez fosse uma idéia, tentar entrar em contato com eles e talvez se alguém tiver um canal lá na quasar, de repente a gente pode tentar ir pra lá. tem uma amiga minha que diz q goiânia é o canal: a cidade é nova, tudo começando, o povo interessado e tal.)
Neto Machado
ola pessoas..
desculpa nao te ligar gus, mas meu cel ficou out of bat.. consegui local para ensaio se quisermos ensaiar esta semana nas manhas ou na sexta a noite… local provisório, mas bom pra esta semana, so que só tem estes horários..
vou amanha de manha ver os vestidos de noiva no guaira, e estou propondo que nossa filmagem seja no domingo. porque acho que isso vai levar um tempo, e no domingo as pessoas tem menos coisas a fazer… vou ver previsao do tempo e retorno..
falo amanha também com a ale haro ver quanto ela cobraria, e quando ela poderia fazer estas fotos. se sabado ou domingo ok..
amanha também marco reuniao com a rebeca do museu, porque ela voltou hj de férias, e vejo a resposta final da fnac….
estou lendo o merleau ponty pra ver se conversamos mais sobre o assunto que tocamos na ultima reuniao; do visível e o invisível..
beti pode ficar com frio a barriga pois nossa noticia é quente…
e gustavo por favor.. quer parar de chorumelas..
vc tem um trabalho sim… nao fiquei ensaiando o hamlet pra vc depois dizer que aquilo que nós fizemos nao é um trabalho.. nao fiquei discutindo com as pessoas sobre o dois coraçoes e um bebe se ele nao fosse um trabalho..
levanta essa cabeça, coloca neysa a pantera das coroas no ultimo volume e vamos fazer uma dancinha bem bonita pra apresentar nesse projeto…
entao, amanha entro em contato com o blog de novo para responder todas as tarefas que estou encarregado de fazer…..
gostei da minha primeira passagem pelo blog..
mas nao achei onde eu edito meu texto..
com o tempo vou achando estas especiarias..
bjos a tuti..
neto machado.
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Gustavo Bitencourt
Pessoas do meu Brasil,
Eu tenho falado meio en passant, meio sem dar muita ênfase, mas agora é definitivo: ESTOU EM CRISE. Mas tipo assim A crise. Desde a premiação do projeto, sei que tenho sido sempre um dos mais empolgados, tou cheio de idéias, acho todas ótimas na hora, depois de uns 10 minutos tudo me parece tão dâaaaarrr.
E eu sei o motivo disso: acho que o nosso casamento, assim como qualquer casamento depende de uma certa autonomia dos envolvidos. E, no meu caso, o único vínculo que eu tenho com produzir e pensar arte hoje são vocês, carinhas. Tipo uma dona-de-casa que espera o marido voltar da firma.
Isso porque eu nunca comprei totalmente a idéia de ser artista pro resto da vida, e ficar sem aposentadoria, sem plano de saúde, dependendo de atendimento do SUS.
Acabei de ver o documentário da Cris, quase finalizado (um trabalho de primeira, tão de parabéns ela e todos os envolvidos). Mas aí eu vejo lá todo mundo espremidinho, nuns apartamentos pequenininhos, ou nuns cafés apertadinhos, aí o Tere O’Connor (que na época do workshop eu achava o cara mais pragmático) falando de optar por viver fora de uma sociedade de consumo. E tem um lado meu que quer muito consumir, fazer viagens turísticas, ter um plano dentário, plano de previdência privada. Aí lembro do Octávio Camargo falando “tem que escolher entre o leite das crianças e o néctar dos deuses”. E eu sei lá se quero esse néctar dos deuses.
No encontro que a gente teve sobre a performanceaçãopeçaetc., o Ricardo me cobrou pra eu deixar de ser burocrata, cobrança que a gente fazia pra ele quando ele começou a andar com pastinha de professor universitário. Tou péssimo.
Aí eu olho pro meu dvdzinho (no qual eu gastei uns 30% do que eu recebi quando pedi a conta no último emprego), e não vejo lá uma idéiazinha, nada mesmo que eu queira levar adiante, que eu ache que mereça investimento. EU NÃO TENHO UM TRABALHO. Mas tenho um emprego, e tá dando pra pagar o aluguel, com essa grana que entrou agora do projeto, deu pra começar a pagar o computador, instalar ADSL. Mas essas granas de projeto são intermitentes. Tou velho. E com medo. Um velho medroso. Que não compra idéia nenhuma de verdade, que tem sempre um pezinho atrás, e por isso fica pulando de galho em galho. Um velho macaca doida. Mas que sempre admira muito a fé e o empenho de vocês.
Pronto, parei.
Agora sobre ensaio: vi hoje novamente com o pessoal do Solar, hoje resolveram me passar pra Sônia que administra a sala que a gente quer. Custa 40 reais a cada 3 horas, sem choro nem vela. Propus uma contrapartida, de repente uma oficina, alguma coisa, como já fiz em outros tempos. Nem pensar. “Não fazemos mais isso”, afirmou a moça.
Ou seja, ainda estamos sem lugar pra ensaiar. Não consegui nem tempo pra ligar lá no Sada atrás dos vestidos ainda, faço isso amanhã sem falta.
Ricardo eu sei que tá viajando. Neto, sei lá. Enfim não rolou ensaio, nem encontro nem nada. Eu levei a sério a história de usar esse tempo do encontro para pensar no espetáculo. Fiquei o tempo todo lá vendo o documentário e criando links pro que a gente pode fazer.
ANEXO 1 – Uma crítica que me comoveu horrores há algum tempo já, por ser extremamente coerente e com boníssimas intenções (Cris, não tinha te mandado isso antes porque tava com vergonha)
(…) In your case I was surprised to find that much of the video material seems aesthetically quite different from your formal approach for the skeleton project. Quite frankly speaking, I am doubtful as to your performative qualities and your self-awareness as a performer. Of course, it is always hard to judge these things from video excerpts. It is therefore a bit hard to get into more details here. The performances seemed either very static and/or had a strong tendency to being pathetic and vain. While for your new project you propose to investigate the structure of narration, I don’t see that same formal awareness and criticism in your former projects.
(…) I hope that you will find the means and support to develop your project further. As I have expressed, I find it a very valid and productive set up.
Jan-Phillip Possman (curador do Plateaux Festival)
ANEXO 2 – Uma seqüência de poeminhas da Adília Lopes
O poeta de Pondichéry
Diderot (ou quem fala por ele em Jacques le Fataliste) recebe um jovem que escreve versos. Acha os versos maus e diz ao jovem que ele há-de fazer sempre maus versos. Diderot preocupa-se com a fortuna do mau poeta. Pergunta-lhe se tem pais e o que fazem. Os pais são joalheiros. Aconselha-o a partir para Pondichéry e a enriquecer lá. E a que sobretudo não publique os versos. Doze anos mais tarde o poeta volta a encontrar-se com Diderot. Enriqueceu em Pondichéry (juntou 100.000 francos) e continua a escrever maus versos.
Por que é que o mau poeta deve ir para Pondichéry e não para outro lugar? Por que é que seus pais são joalheiros? Por que é que juntou 100.000 francos? E por que é que passou doze anos em Pondichéry? Não sei explicar. O que me atrai é precisamente isto: Pondichéry, pais joalheiros, 100.000 francos, doze anos.
–
Para quê sacrificar uma página em branco?
se ainda se escrevesse em peles de bezerros recém-nascidos
atrevia-me a sacrificar bezerros recém-nascidos?
acho que sim
–
Vou dedicar todos os meus poemas a Diderot
escrevo só A Denis
ele sabe que é esse Denis
eu também
as outras pessoas não
não há embaraços
–
Se não tivesse conhecido Diderot
dizia hoje coisas diferentes das que digo hoje
devo-lhe a minha fortuna e o meu desgosto
–
Mercurocromo bofetadas café com leite ópio
toda uma vida em vista de um poema
de que Diderot não gosta
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Elisabete Finger
Oi Gus,
olha, to num «sitio internet», em Moledo, uma cidadezinha portuguesa que nao tem nem no mapa… esse computador ta travando toda hora, entao vou escrever pra vc e depois “sefaxavor” de pôr no blog.
Adoro suas atas, sempre dou muita risada… gostei da ideia do casorio, e quero mesmo ficar solteira (ha, ha, ha…), posso sempre ter uma relaçao extra-conjugal com vcs…
Olha, tirei fotos dentro do aviao Paris-Lisboa, e gostei muito, pena que deste “sitio internet” nao da pra mandar arquivos, vao ter que esperar minha chegada na capitarr
To traduzindo o texto do Foucault e juntando com umas observaçoes divagaçoes que envio em breve.
Estou curiosa pra saber a noticia do Neto e da Ste, posso imaginar e minha barriga até dói de angústia e felicidade!
um beijo pra vcs
com amor
Beti
Cristiane Bouger (20.07.06)
gente toda,
primeiro, desculpa por estar um pouco ausente nas respostas dos e-mails…. depois que eu viajar estarei bem mais presente (louco né?)…
muita coisa gente… não sei onde pego primeiro… trabalho pra entregar, vídeo pra finalizar, performances para criar, artigo pra escrever (ai meu deus!!!!!)… mi, fique calma… vc não está só!
bom, tenho um material sobre vídeo arte para passar pra sté compartilhar com a mi e beti… acho que amanhã conseguirei deixar lá no teu amigo, sté!
e falando em lugares de passagem, estou anexando umas fotinhos de nova york (2004) pra vcs…. se servir para algo, podem usar… minhas prediletas são as fotos 005 (a estação no Queens aonde eu pegava o metrô todos os dias), 010 (flagra no guarda durante a parada gay) e 014 (caminhando, caminhando)….
beijos grandes,
cris






Obs.: As fotos foram feitas por Cristiane Bouger, e estão sob a mesma licença do restante dos conteúdos deste site, o que quer dizer que podem ser reproduzidas para determinados usos. Entretanto, não nos responsabilizamos pela cessão de uso de imagem dos fotografados.
Michelle Moura (19.07.06)
Sté, entendo melhor agora as coisas em respeito a cam. Sim sim eu naum sabia dessas questões de que minidv naum é um tipo de cam, mas existem várias cams que usam minidv. Agora comprendido. Veja qtas coisas tô aprendendo com essa história de vídeo!! Tbm acho importante termos qualidade na captação pra dispendermos menos tempo com a ilha de edição. De acordo! Assim como continuo de acordo com a questão compra de cam pra registros em geral.
Beti, sim agora tô ligada no texto…verdade tá aqui sim. Eu tentei ler logo q ganhei de ti…meu q dificíl.. vou adorar o seu resumo! Esses tempos meus aqui carioca tenho me dedicado menos q em outros tempos aos estudos téóricos…mas nossa, me dá um prazer indescritível, ouvir, ler, saber esse tipo de coisas. Adorei suas escritas reflexivas sobre corpo/território. Continue, tá!?
Ri, agora que saquei que naum te respondi o e-mail do processo de vcs. Tô aqui já bolando coisas pra vcs! Dê a partida e eu corro junto!!
ESTOU MALUCA! UMA URUCUBACA BATEU! Já tinha falado que minha cam tinha voltado do conserto…aí, tbm falei que ela re-estragou no 2°dia em q fui usá-la…Pensei na Mônica me acompanhar para as fotos, mas ela está atolada de ensaios do “Focus”, um grupo contempojazz q ela tbm dança…enfim, naum posso contar com ela pras fotos, pois amanhã ela tá indo pra Jlle dançar com o Focus… A cam da Karenina é muito ruim…fez aquelas fotos que mandei do metrô…ficam escuras e naum dá pra fazer filminhos. Minha cam volta pro conserto semna q vem. O conserto é em Ctba! E eu…eu só volto pro Rio em agosto…e ainda nuam fiz as fotos cariocas com a Couve. Meu tô angustiada, sei q vcs nada podem fazer por mim…mas preciso compartilhar isso com vcs.
Rs!
Gurias, vou cada vez mais me excitando com a idéia de “naum lugares”, lugares de passagem, como metro, escadas rolantes, bus, pontes. A “ligação” entre um lugar e outro é um “naum lugar”… hehehe. E se corpo é território, o que acontece com ele em um “naum lugar”? Viaja pra outros lugares potenciais, só com a mente? Agrupando-se e colando em outros territórios/corpos. Yeah, fazer amor é isso! Isso quer dizer que aquelas placas q fotografei do metrô, que lembrar questões fálicas, sexuais e familiares, tudo tem haver com nossas questões “de lugar, naum lugar”. Hum,. veja só, tudo dentro, tudo se ligando. Vou pensar melhor nessas questões….e fazer como vc Beti: anotações em caderninhos.
Ricardo, já naum sei mais seu novo e-mail GMAIL. Alguém pode encaminhar esse e-mail pro gmail do RI? Por favor!!
Gus, qdo fica pronto nosso lugar de exposição desses mails no site? Realmente já acho interessante q pessoas possam estar acompanhando a história toda! Opinando, contribuindo, etc.
Como é que tá a idéia do lançamento? Ainda será no início de agosto?
Diz aí!!!
Beti boa viagem!!
Beijos a todos
Elisabete Finger (20.07.06)
Oi gente,
primeiro tenho que dizer que amo vcs e adoro ler os e-mails couve, morro de rir com as atas do Gustavo e e acho voces todos muito criativos, inteligentes, descolados, etc. Pena que a internet ta dificil pra mim, tenho que ir na casa dos amigos pq no cafe eles tem a pachorra de cobrar 2 euros por 15 minutos!
Fin,
vou tentar ir por partes mas as coisas se misturam.
Déjà acho uma boa comprar a camera. importantissimo, e eu mesma to pensando em comprar uma pra mim, pq agora sai de vez de Angers e nao tem mais a mamata do CNDC pra emprestar aparelhos tecnicos, donc tenho apenas a minha sonysinha digital pras fotos e filmes de 1m e 27s. Vou dar uma olhada no preço das digitais usadas pra ver se da pra pagar, mas to super mega sem dinheiro.
Falando da camera e das minhas possibilidades, vou tentar te mandar meus filmes de ponte daqui a pouco Sté, mas to achando dificil. Coloquei na resoluçao maxima 4 mega pixels, mas eu posso ver os quadradinhos no filme, acho que a qualidade das imagens vai pegar messsssmo. E os arquivos sao super pesados, talvez nao dê pra mandar por mail, to pensando em gravar um cd e mandar pelo correio. Acho que o que vai rolar mais sao fotos, que eu posso enviar facilmente (Aliàs Sté, diz pra mim com quantos megapixels de resoluçao é melhor fazer as fotos, de modo que elas sejam trabalhaveis para o video. Minha maquina tem opçao 1mega, 3 ou 4. Se der pra fazer em 1 posso tirar mais fotos de cada vez… diz o que vc acha). Vou continuar a fazer os filmes de pontes e vou estender para escadas rolantes, metrôs, trens, esses lugares de passagem, “nao lugares” do Foucault. Michelle, isso ta no texto que eu te dei “les hetorotopyes” (agora nao sei se é assim que escreve). Sei que ta em francês e é foda, mas vale muito à pena. Vou tentar fazer um resumao pra um proximo e-mail e mando pra vcs. Mas, agora me lembrei que o Gus também deve ter isso, se ele foi pegar o cd que eu deixei com a minha mae. Nele tem dois textos chave: “les heterotopyes” e “le corps utopyque”. os dois sao exelentes e tem tudo a ver. No segundo ele fala claramente do corpo como o contrario de uma utopia, como uma “topia” impiedosa, “um lugar (e eu acrescento: um territorio) ao qual estamos condenados”; e entao me lembro da celebre frase “sujeito e territorio sao indissociàveis”, biensûr pq o corpo é o primeiro territorio. No mesmo texto Foucault desenvolve a ideia e diz que na verdade o corpo é o centro de todas as utopias, que construimos “nao lugares”, no corpo e fora dele, e que em busca dessas utopias nos afastamos do corpo, e ele termina dizendo “… e se gostamos tanto de fazer amor, é porque é no ato de fazer amor que sentimos o corpo, meu e do outro, aqui e agora” (Traduçao tabajara de Finger, Elisabete).
o que me faz pensar na conversa da Reuniao de sabado…
Vou continuar em outro e-mail pra nao ficar muito comprido
beijo
Elisabete Finger (18.07.06)
Entao,
vejo muitas ligaçoes entre os “nao lugares”: pontes, trens, metros, escadas rolantes… Territorios de passagem, que comportam um territorio (eu, meu corpo) que passa… tô pirando, vou tentar escrever, organizar num caderno e depois enviar um e-mail, vai ficar mais claro.
Sobre o trabalho dos meninos. Adorei a historia da diferença, do outro. E to trabalhando sobre isso num outro projeto. Vou fazer um duo com um diretor de cinema que foi meu professor no Essais. Ele tem uns 40 anos, é frances, baixinho, barrigudo, de oculos e nunca esteve num palco. Trabalhamos sobre a diferença pq ele me disse, me vendo dançar, que isso que eu faço é tao estranho que ele se sente sem instrumentos pra me dar qualquer retorno. Foi uma bofetada no começo mas agora to achando otimo, acho que vai ser lindo. Fin, a gente ta procurando dinheiro pra tocar esse projeto tbem.
Falando em dinheiro… nao sei se voces rediscutiram a questao cachê, mas estou de acordo em trabalhar tudo que eu posso daqui, acredito na noçao de coletivo RICARDO, e quero mesmo estar junto com vcs nos proximos projetos em carne osso para uma outra divisao do trampo, onde eu poderei ser a escrava da burocracia/produçao… Vou mandar o numero da minha conta. E, ainda nao sei se tenho que assinar contrato e como as coisas se passam para a Aspart.
Voltando ao trabalho dos meninos. Pensei em mandar mais coisas pelo correio para o processo de criaçao, acho que a presença fisica pode contribuir de outra forma. mandem um endereço para o qual eu possa escrever e mandar bagulhinhos… Vou adorar tabem programar uma journée de trabalho de vcs!
Lançamento do site:
Gus vou escrever jà um e-mail pras pessoas que estao nas fotos com a couve.
Vou pedir para que aqueles que nao estao de acordo se manifestem, mas acho que todo mundo vai gostar da idéia.
Bom, tenho certeza que to esquecendo coisas, mas escrevo depois
Beijos mil
To indo pra Lisboa amanha. Se eu sumir uns dias nao se preocupem, eu volto e respondo tudo
mais beijos
Beti